Durante o mês de agosto, a saúde respiratória ganha um importante espaço de conscientização com o Agosto Branco – Campanha dedicada à prevenção, ao diagnóstico e ao enfrentamento do câncer de pulmão. A iniciativa faz parte oficialmente do calendário nacional de campanhas de saúde pública, por meio da Lei nº 15.207/2025, que estabelece a realização anual de ações educativas sobre os sintomas, o prognóstico, o tratamento e os serviços de referência para a doença.
A campanha amplia o acesso à informação e estimula atitudes que podem contribuir para a prevenção e para a identificação de sinais de alerta. Embora o câncer de pulmão esteja fortemente relacionado ao tabagismo, ele também pode atingir pessoas que nunca fumaram.
Câncer de pulmão
O câncer de pulmão ocorre quando células do tecido pulmonar passam a se multiplicar de maneira descontrolada, formando um tumor. A doença pode permanecer sem sintomas por algum tempo, o que faz com que muitos casos sejam identificados em fases mais avançadas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2026–2028, são estimados 35.380 novos casos de câncer de pulmão no Brasil, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres. Em 2024, foram registradas 32.555 mortes pela doença no país.
Os números apontam que o câncer de pulmão está entre os tumores mais frequentes no Brasil e apresenta elevada mortalidade.
Tabagismo – principal fator de risco
O tabagismo é a principal causa do câncer de pulmão. Quanto maior e mais prolongada a exposição ao cigarro, maior é o risco de desenvolver a doença. A exposição à fumaça do tabaco de outras pessoas — o chamado tabagismo passivo — também representa um grande risco.
Mas o cigarro não é o único fator associado ao câncer de pulmão. Entre outros, estão:
- Exposição à poluição do ar;
- Contato ocupacional com substâncias cancerígenas, como: amianto, arsênio, benzeno, cádmio, cromo, níquel e poeira de sílica;
- Exposição a fumaça de soldagem e emissões de motores a diesel;
- Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
- Histórico familiar de câncer de pulmão;
- Fatores genéticos;
- Infecções pulmonares de repetição.
Algumas atividades profissionais podem aumentar a exposição a agentes de risco, especialmente em setores como construção civil, mineração, metalurgia, agricultura e determinadas atividades industriais. Nesses casos, o uso adequado dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e o acompanhamento da saúde ocupacional são medidas importantes.
Sinais e sintomas
Um dos grandes desafios do câncer de pulmão é que, principalmente nas fases iniciais, a doença pode não apresentar sintomas claros. Quando aparecem, alguns sinais podem ser confundidos com problemas respiratórios comuns:
- Tosse persistente;
- Mudança no padrão habitual da tosse, especialmente em fumantes;
- Presença de sangue no escarro;
- Falta de ar ou piora da dificuldade para respirar;
- Dor no peito;
- Rouquidão persistente;
- Perda de peso e de apetite sem causa aparente;
- Cansaço ou fraqueza;
- Episódios recorrentes de pneumonia ou bronquite.
Apresentar esses sintomas podem também estar relacionados a outras condições e não, necessariamente, ao câncer de pulmão. Contudo, ao notar persistência ou mudanças em relação ao padrão habitual, o ideal é marcar uma consulta médica para realizar exames.
Diagnóstico
A investigação começa a partir da avaliação clínica e da análise dos sintomas e fatores de risco do paciente. Exames de imagem, como radiografia de tórax e tomografia computadorizada, podem identificar alterações, nódulos ou massas pulmonares.
Quando existe suspeita de câncer, é necessária a confirmação através da análise de uma amostra do tecido, geralmente obtida por biópsia pulmonar ou, em determinadas situações, por broncoscopia.
Outros exames podem ser realizados para determinar o chamado estadiamento, ou seja, verificar o tamanho e a localização do tumor e se a doença se espalhou para outras regiões do organismo, com exames como PET-CT, ressonância magnética e tomografias.
O rastreamento do câncer de pulmão não é indicado indiscriminadamente para toda a população. A utilização de tomografia computadorizada de baixa dose pode ser considerada para determinados grupos de alto risco, de acordo com critérios clínicos e avaliação médica.
Tratamento
Cada caso precisa ser avaliado individualmente
O tratamento depende de diversos fatores: tipo de tumor, estágio da doença, características moleculares e condições gerais de saúde do paciente.
Entre as possibilidades estão:
Cirurgia: pode ser indicada principalmente quando a doença está localizada e pode ser completamente retirada.
Quimioterapia: utiliza medicamentos para destruir ou controlar células cancerígenas e pode ser utilizada antes ou depois da cirurgia, associada à radioterapia ou em casos de doença avançada.
Radioterapia: utiliza radiação para destruir células tumorais ou impedir sua multiplicação e pode ser indicada em diferentes momentos do tratamento.
Terapia-alvo: utiliza medicamentos direcionados a determinadas alterações moleculares presentes em alguns tumores.
Imunoterapia: estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais em situações específicas.
Em casos avançados, os cuidados paliativos também têm papel fundamental, contribuindo para o controle de sintomas como dor e falta de ar e para a qualidade de vida do paciente e de seus familiares.
Por isso, o tratamento deve ser definido por uma equipe especializada e de maneira individualizada. Não existe uma única estratégia que seja adequada para todos os pacientes.
Prevenção
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas reduzem significativamente os riscos.
A principal delas é não fumar. Para quem fuma, parar de fumar é uma das atitudes mais importantes para proteger a saúde pulmonar. Evitar a exposição à fumaça do cigarro, praticar atividade física e reduzir, sempre que possível, a exposição a substâncias cancerígenas no ambiente de trabalho, utilizando corretamente os equipamentos de proteção.
Além disso, manter consultas médicas quando houver sintomas persistentes ou fatores de risco é uma forma de não negligenciar possíveis sinais de alerta.
O Agosto Branco reforça: informação também é uma ferramenta de prevenção!
Conhecer os fatores de risco, evitar o tabagismo, proteger-se de exposições ocupacionais e ambientais e procurar atendimento diante de sintomas persistentes são atitudes que podem fazer diferença.
Cuidar dos pulmões é cuidar da vida!